quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ADAPTATIVIDADE E RESILIÊNCIA NO SISTEMA SOCIOECOLÓGICO DA COMUNIDADE CAIÇARA DA ILHA DIANA FRENTE À EXPANSÃO PORTUÁRIA NO ESTUÁRIO DE SANTOS-SP

http://www.globalgarbage.org/praia/downloads/Tese%20Doutorado_Fernanda%20Terra%20Stori.pdf

RESUMO

Apresentamos neste estudo o caso da comunidade caiçara da Ilha Diana, a 
qual passa por transformações devido ao declínio da pesca artesanal e à 
expansão do complexo industrial-portuário no estuário de Santos - SP. 
Discutimos quais elementos configuram adaptatividade e resiliência no 
sistema socioecológico que envolve a comunidade da Ilha Diana para que a 
sustentabilidade seja construída. Para tal, foram objetivos: (1) a 
identificação qualitativa dos aspectos da cultura caiçara, dos 
mecanismos sociais e práticas tradicionais de manejo dos recursos 
pesqueiros e suas transformações; (2) a analise das lógicas de ação da 
rede sociotécnica formada pela emergência da controvérsia do 
licenciamento ambiental de um moderno terminal portuário. Para a 
primeira análise, nos valemos de uma abordagem etnoecológica 
entrevistando 20 residentes da Ilha Diana (9% da população total), com 
idades variando de 18 a 90 anos, respeitando-se a equidade entre 
gêneros. Para a segunda análise, foram entrevistados dez atores sociais 
envolvidos na controvérsia da expansão portuária. Foram identificados 
aspectos próprios da cultura caiçara no território da Ilha Diana, como 
sua organização social interligada à pesca e o auto-reconhecimento de 
sua cultura. Identificamos sete práticas de manejo pesqueiro baseadas no 
conhecimento ecológico local, quatro mecanismos sociais atrelados às 
tais práticas, três processo de inovação tecnológica e a extinção de uma 
prática de pesca tradicional seletiva. A perda intergeracional de 
conhecimento ecológico e dos mecanismos sociais atrelados pode ocasionar 
na redução de resiliência. Todavia, os mecanismos sociais identificados 
poderão contrabalançar aspectos negativos do processo de mudança e 
crise, promovendo a reorganização do sistema. Também identificamos que 
as lógicas de ação comerciais e industriais, visões de mundo dominantes 
no território estudado, interferem negativamente na manutenção das 
práticas pesqueiras e mecanismos sociais caiçaras da Ilha Diana. As 
lógicas cívica, doméstica e de opinião apenas exercem o contraponto às 
visões dominantes, na forma de condicionantes socioambientais aos 
processos de licenciamento de empreendimentos com significativo impacto 
ambiental. Desta forma, não foi observado um real processo de tradução 
do licenciamento analisado, apenas um processo de negociação de 
condicionantes, que resultou em desconfianças, conflitos, demonstrando 
que a rede em questão não é ampla, fortalecida, vigilante e 
transparente. Conclui-se que a promoção de resiliência no sistema 
socioecológico estudado dependerá da capacidade adaptativa da 
comunidade, a partir de práticas socioeconômicas sustentáveis, como 
aquelas baseadas na valorização de sua cultura. Dependerá também de que 
os projetos de expansão portuária no estuário de Santos sejam debatidos 
com ampla participação popular, de forma transparente, com vistas a 
fortalecer as redes e elevar sua vigilância.

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