segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mesmo apontados, Polícia não indicia agressores do Extra

Mesmo apontados, Polícia não indicia agressores do Extra
Por: Redação - Fonte: Afropress - 5/12/2011
S. Paulo - Embora dois dos seguranças – Marcos Koshimizu Ojeda e Jefferson Alves Domingos - tenham sido reconhecidos como autores da abordagem e agressões aos menores T., W. e M., de 11, 13 e 14 anos, em janeiro deste ano no Hipermercado Extra, da Marginal do Tietê, na Penha, a investigação terminou sem que nenhum dos dois tenha sido indiciado.

Nas 11 páginas do relatório do IP 026/2011, o delegado Marcos Aníbal Arbues de Andrade, limitou-se a fazer uma descrição do andamento das investigações e da coleta dos depoimentos, sem fazer o enquadramento da conduta dos envolvidos. (Na foto, Diógenes Pereira da Silva, pai de um dos menores).

O caso será abordado em audiência pública marcada para as 16h desta terça-feira (06/12) no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), em que serão analisadas as ocorrências envolvendo a discriminação de negros nas relações de consumo nas grandes lojas de supermercados.

Segundo os advogados Alexandre Mariano e Dojival Vieira, o relatório do Inquérito ignora que os agressores foram reconhecidos e, portanto, deveriam ter sido indiciados, ao menos em quatro crimes: violação aos artigos 230 e 232, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), constrangimento ilegal, cárcere privado e injúria racial, todos do Código Penal.

Eles vão pedir a intervenção do Ministério Público - a quem cabe constitucionalmente o controle externo da atividade policial - para que sejam determinadas novas diligências no caso.

Enquanto eram ameaçados, segundo o relato constante dos depoimentos, os três garotos eram xingados de “negrinhos fedidos”.

Pressões

"Quero acreditar que os agentes estatais encarregados pela investigação e por promover a denúncia junto ao Poder Judiciário estejam de boa fé, mas, talvez o empenho e o comprometimento dos mesmos estejam intimidados perante o poderio econômico do Grupo Pão de Açúcar", disse ao comentar as conclusões do Inquérito.

O caso da agressão aos três garotos no Hipermercado Extra teve repercussão, inclusive, internacional porque, num primeiro momento, a Comissão de Direitos Humanos da OAB de S. Paulo, formalizou a denúncia junto ao Conselho Europeu dos Direitos Humanos e a Comissão de Direitos Humanos da OEA.

Pressionada pela repercussão, a direção do Pão de Açúcar, do empresário Abílio Diniz, fechou acordo extra-judicial indenizando a família de um dos garotos – o menor T. – a quem, mesmo alegando não ter responsabilidade, pagou a quantia de R$ 260 mil.

Os outros dois menores, porém, não foram indenizados e o advogado Alexandre Mariano tem tentado, sem sucesso até agora, abrir canais de negociação com o Pão de Açúcar. Mariano disse que entrará com ação judicial de indenização por danos morais contra a empresa.

Agressão e racismo

De acordo com relato de W. – um dos garotos – quando já se encontravam na sala sob as ordens dos seguranças “um outro funcionário que utilizava óculos mandou os três menores tirarem a roupa, inclusive as cuecas,funcionário este que deu um tapa no peito de W. dizendo “vem aqui neguinho” desferindo o funcionário um outro tapa no pênis de W."

“Apresentadas as imagens fotográficas foi Marcos K. Ojeda reconhecido por W. como sendo o terceiro funcionário que entrara no quartinho, bem como reconheceu Jefferson Alves Domingos como sendo o funcionário que pegava as coisas como a barra de papelão para entregar ao funcionário de óculos””, afirma um dos trechos do relatório, que foi ignorado pelo delegado ao decidir por não indiciar os acusados.

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