Dia desses, uma conselheira de Cultura da cidade me contou uma história que achei simplesmente pavorosa: foi apresentado à Secretaria Municipal de Cultura um projeto de memória de artistas, através de depoimentos que seriam gravados no suntuoso Teatro Municipal de Niterói. MV Bill e Sandra de Sá foram os nomes sugeridos para abrir a série. A proposta foi vetada. O gestor cultural de plantão – que continua à frente de um órgão público do setor de Cultura da cidade – alegou que "ihhh! O morro vai descer!".
A pesquisa que fiz, em 2010, sobre o negro na mídia de Niterói não deixa dúvida: negro só é notícia boa quando é sambista ou artista. Pelo que sai nos jornais locais, parece que não existe na cidade negro médico, engenheiro, professor universitário etc e tal. Existe, sim, mas não tem visibilidade. Por que? Seria mais um assunto que poderia ser debatido neste Novembro Negro, mas...
Para mim, o que fica é que, mais uma vez, Niterói não focaliza a questão negra, o que significa dizer não querer focalizar a sua própria história.
Fernando Paulino – Membro do Conselho de Cultura de Niterói, jornalista e negro
Nenhum comentário:
Postar um comentário