quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Empreendedorismo jornalístico

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={77567102-FB92-435A-8339-480ECC5223D1}

Empreendedorismo jornalístico atrai a atenção de universidades e
profissionais desempregados no mundo inteiro
Postado por Carlos Castilho em 1/2/2010 às 23:36:06

Pelo menos duas grandes iniciativas surgidas nos Estados Unidos nos últimos
cinco meses colocaram na ordem do dia uma questão que tira o sono de quase
25 mil jornalistas desempregados nos últimos 10 anos em conseqüência da
crise na imprensa norte-americana.

É o chamado empreendedorismo jornalístico onde profissionais altamente
qualificados, mas sem trabalho, decidem criar o seu próprio sustento usando
a internet como plataforma. Este é o público que as universidades do Sul da
Califórnia e a Municipal de Nova Iorque pretendem atingir ao lançar dois
projetos com o objetivo de discutir a criação de empresas jornalísticas na
Web.

A Universidade do Sul de Califórnia (USC) anunciou para maio próximo a
realização de um curso intensivo para a capacitação de jornalistas
interessados em montar seu próprio negócio. Em Nova Iorque, a CUNY (City
University of New York) criou um curso regular de empreendedorismo
jornalístico e está promovendo a formação de uma rede acadêmica mundial para
troca de experiências nesta área.

A primeira reunião virtual da rede, realizada agora em janeiro, contou com
a participação de 12 grandes universidades norte-americanas e mais duas
faculdades da Inglaterra, uma do México, Noruega e Alemanha. O grupo criou
uma página wiki onde é possível acompanhar a troca de idéias.

A relevância adquirida pelo tema desde meados do ano passado acontece
paralelamente ao agravamento das dúvidas e incertezas sobre o futuro da
imprensa convencional, especialmente a questão da cobrança ou não de acesso
à notícias publicadas na internet.

É um área onde a realidade está atropelando os jornalistas pois o
enxugamento das redações está acontecendo a um ritmo muito mais rápido do
que a descoberta de novos nichos de atividade remunerada para os
profissionais desempregados e recém formados.

Mais do que isto. É um setor onde a perplexidade é generalizada porque a
ausência de modelos é total. Está tudo por fazer, o que coloca as
universidades numa posição privilegiada, porque elas é que podem promover a
pesquisa e o intercâmbio de experiências necessárias para encontrar
alternativas.

Se a grande imprensa ainda procura um novo modelo de negócios, os
profissionais autônomos têm pela frente uma tarefa não menos complicada, que
é a de descobrir como obter receitas a partir do jornalismo praticado na
Web.

Quase todos os estudos e hipóteses apontam no sentido de que não haverá uma
solução única e sim várias possibilidades, dependendo do contexto onde está
inserido o profissional independente.

Mas uma coisa é considerada certa: O jornalista deverá estar vinculado a uma
ou mais redes na internet para poder desenvolver o seu trabalho, ter
contatos e recorrer à ajuda especializada, em questões como finanças
pessoais, apoio jurídico, promoção pessoal e atualização profissional.

Outra hipótese tida como muito provável é a de que cada jornalista deverá,
durante algum tempo, ter um pé no mundo digital e outro no mundo analógico
porque o retorno financeiro de páginas informativas na Web tende a ser
lento e pouco significativo, no começo. Portanto, haja paciência e
persistência.

Em compensação, a internet oferece possibilidades imensas de exploração de
nichos informativos especializados, notadamente no jornalismo local e
hiperlocal , jornalismo investigativo com participação do público e
informação altamente especializada. Os jornalistas deverão cultivar as suas
próprias redes de leitores, que eventualmente poderão também funcionar como
financiadores do profissional.

O repórter Cristopher Albritton cobriu o início da invasão norte-americana
no Iraque a partir de contribuições de leitores do seu blog. Mais
recentemente o projeto Spot.us passou a reunir jornalistas free lancers para
produzir reportagens também financiadas por recursos do público.

Este tipo de financiamento direto deverá ser uma das opções financeiras dos
jornalistas profissionais na Web. O Spot.us ainda não é considerado uma
experiência consagrada, mas há pelo menos três pesquisadores da comunicação
na Web estudando o projeto para extrair lições de seus erros e acertos.

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