Contaminação de rio que corta comunidades quilombolas se agrava no norte do ES
Contaminação de rio que corta comunidades quilombolas se agrava no norte do ES
Escrito por Portal Século Diário
Qui, 29 de Dezembro de 2011 18:49
http://institutoluizgama.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=150%3Acontaminacao-de-rio-que-corta-comunidades-quilombolas-se-agrava-no-norte-do-es&catid=10%3Aquestao-racial-e-quilombola&Itemid=38
A água do rio Angelim, que corta as comunidades quilombolas de São Mateus e Conceição da Barra (norte do Estado do Espirito Santo), já contaminada, ganhou aspecto de poluição ainda mais preocupante nos últimos dias, com morte de peixes, forte odor e intoxicação de crianças. As famílias que moram próximas ao manancial atribuem o problema ao constante lançamento de agrotóxicos pela Aracruz Celulose (Fibria) e usinas de açúcar e álcool da região. Sem providências do poder público, em determinadas épocas do ano, o problema se agrava.
Foto Blog Maura Fraga
É o que acontece neste período, como denunciam os quilombolas. O cenário, segundo eles, se assemelha ao de 1992, quando ocorreu uma mortandade violenta de peixes depois da aplicação de vinhoto – resíduo do processo de destilação do álcool - pela Destilaria Itaúnas S/A e herbicida de alta potência pela Aracruz Celulose e antiga Bahia Sul (Suzano Papel e Celulose).
As agressões ao meio ambiente pelos empreendimentos que deixam ilhadas as comunidades têm conseqüências sérias para os quilombolas, que sempre nutriram relação íntima com as matas, córregos, lagos e rios. Antes da instalação das empresas, eram dos recursos naturais que os quilombolas garantiam o sustento de suas famílias. Os mananciais também serviam de fonte de água, lazer e transporte. Hoje, o rio está cada vez mais próximo de sua morte.
Os quilombolas criticam os órgãos ambientais do Estado, que não cumprem a legislação e ignoram os inúmeros impactos gerados pelas empresas responsáveis pela destruição ambiental. A omissão do poder público intensifica a situação das famílias do antigo território do Sapê do Norte, que vivem em estado de miséria, sem alternativas de subsistência.
No ano passado, a Comissão Especial de Acompanhamento e Apuração de Denúncias Relativas à Violação do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) constatou a insegurança alimentar e nutricional nas comunidades quilombolas. Resultado da ocupação irregular das terras, principalmente pela monocultura do eucalipto, mas também por atividades de fazendeiros e usinas de álcool.
Os extensos plantios de eucalipto e a intensa aplicação de agrotóxicos impedem a produção de alimentos e uso da água pelas famílias quilombolas. A agricultura familiar garantiria uma alimentação diversificada e em quantidade suficiente às comunidades.
Sem isso, restam aos quilombolas apenas a cata dos resíduos de eucalipto, inutilizáveis pela empresa, para produção de carvão. É por essa atividade, porém, que a Aracruz Celulose promove episódios de violência e prisões arbitrárias contra os quilombolas, vítimas constantes também de tentativas de criminalização e sedução da empresa, com falsas promessas.
Atualmente, existem no Estado cerca de cem comunidades quilombolas, localizadas nas regiões sul, norte e serrana, totalizando uma população de mais de 30 mil pessoas.
Os quilombolas lutam há décadas pela recuperação de suas terras exploradas pela Aracruz Celulose desde a ditadura militar. Dos 50 mil hectares a que têm direito, foram reconhecidos oficialmente os territórios Serraria e São Cristóvão, em São Mateus. No ano passado, os quilombolas retomaram 13 hectares em São Domingos e 35 hectares em Angelim I.

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