quarta-feira, 22 de setembro de 2010

CUBA

Já na década de 1990, quando se fez presente a profunda crise econômica que invadiu a Ilha após o desaparecimento do socialismo do leste, o negócio das imobiliárias de capital misto, que construíam casas e apartamentos para estrangeiros, estava aberto em Cuba, embora pouco depois seu ritmo tenha diminuído até quase parar. Recordo, inclusive, ter ouvido a frase de que não se venderia ao estrangeiro nem um centímetro da pátria. Agora, o novo decreto dá um impulso extraordinário a uma abertura de investimentos nos setores turístico e residencial ligados aos visitantes estrangeiros, algo que resulta ser menos curioso em um país onde os cidadãos não podem vender ou comprar imóveis, e precisam de uma quantidade incalculável de autorizações para construir uma com seus próprios recursos ou mudar-se para outro (a famosa “permuta” cubana, toda uma instituição social e cultural no país).

No mesmo ritmo foram sendo introduzidas mudanças em toda uma série de esferas onde o protecionismo estatal vigorou durante anos, e que vão da eliminação da venda subsidiada de uma cota mensal de cigarros a todos os nascidos antes de 1956 (!) até a regulação de impostos para pessoas que, na beira da estrada, decidirem vender as mangas ou os abacates de suas árvores (pagarão 5% da venda e farão uma contribuição para a assistência social), os mesmos vendedores clandestinos de (mangas e abacates!) que, até agora, eram perseguidos e multados pela polícia.

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